Archive for the ‘c’ Category

Modelo de Negócios e Tecnologia

Sunday, December 2nd, 2007

Há alguns anos eu trabalhava para uma grande empresa que cria produtos em um nicho muito específico. Dá última vez que eu vi alguém fazer uma estatística 90% dos produtos eram em C, 5% em C++ (”muito lenta”) e o restante em PERL, Python e Java.

A coisa que eu mais gostava sobre essa empresa era como o modelo de negócios deles era movido por inovação. Quando alguém tinha uma boa idéia ele era convidado a montar um protótipo em laboratório que seria oferecido à clientes. Haviam muitos ganhos para os bem-sucedidos, meu chefe, diretor regional de tecnologia, subiu ao seu cargo após duas idéias convertidas em produto (além de ganhar uma boa grana).

No entanto, apesar da inovação presente nos novos produtos lançados simplesmente não havia inovação técnica. Não importa o software, tudo era feito em C. Eu fui contratado para um novo time que cuidava das alicações Java. Estas aplicações só foram criadas porque os clientes exigiam interfaces web e RMI para os produtos da empresa e porque contratar programadores C sempre foi um problema. Mesmo trabalhando basicamente com Java (e naquela época o sonho de todo mundo era arrumar um emprego “100% Java, nada de PHP ou VB”) boa parte do meu trabalho era escrever e testar interfaces em C que se comunicavam com o sistema “de verdade” (o feito em C).

Certa vez me mandaram por 10 dias, que viraram 20, numa viagem de trabalho. O lugar não era muito amigável com turistas então passei boa parte do tempo no quarto de hotel tentando entender a televisão. Como não tinha Internet liberada eu passava no dia baixando PDs e páginas completas para ler à noite e nos fins-de-semana. Com o tempo pensei: e se eu reconstruisse o sistema em Java? Obviamente que não consegui reproduzir o sistema todo dado o tempo mas se o sistema antigo tinha 5% em Java eu consegui que fosse unas bons 30%. Chegue no escritório doido para mostrar ao meu chefe.

Obviamente foi um banho de água fria. A pessoa ficou feliz por eu me interessar pelos projetos internos e disse que iria ver o sistema, um dia. Esse dia nunca chegou. Após alguns meses eu pedi demissão da empresa.

Dia desses estava falando com um amigo que ainda trabalha lá e soube que 50% dos clientes foram embora. Na época que eu trabalhava nessa empresa ela tinha quase que o monopólio de um dado tipo de sistema, com tempo concorrentes foram surgindo. O sistema da empresa era claramente superior aos outros mas era muito menos flexível. Ele era muito bom no que fazia mas quando precisávamos que ele fizesse a coisa um pouquinho diferente o projeto durava meses. Os concorrentes chegaram com linguagens como C++ e Java e apesar de não terem um produto com 10 anos de bons serviços prestados eles conseguiam mudar rapidamente.

Há dez anos a escolha por utilizar C e IPC de UNIX na mãozona era certa. Nenhuma plataforma da época oferecia o desempenho aceitável. Infelizmente as pessoas acabam construindo as piores coisas do mundo com desculpa de performance e o sistema era completamente monolítico e depende tanto do SO que mudar de uma versão minor para a outra leva um ano com um time de 3 pessoas completamente dedicados.

Se esta empresa acompanhasse os movimentos da indústria veria que existiam plataformas que já ofereceriam performance aceitável (eu já trabalhei em sistemas Java mais eficientes que aquele em ouros lugares) e que iriam oferecer a flexibilidade necessária. Infelizmente só repararam isso quando a concorrência invadiu o mercado.

A empresa continua com produtos ótimos em suas idéias mas ninguém consegue esperar 2 anos para colocar algo no ar. As coisas mudaram e escolher a tecnologia certa para cada caso é cada vez mais o qe define sucesso ou fracasso de um projeto. Ou de uma empresa.

Ele Não Aguenta Mais Arroz Com Ovo

Monday, May 7th, 2007

Continuando na nossa série de alertas (não, não era uma série mas acabo de inventar isso) chegamos a um excelente texto sobre o futuro de java x .Net no infoQ. Deste eu destaco:

When .NET was first released in 2000/2001, the Java community considered it a “clone” of Java, both language and standard library. Comparing simple code samples surely support this impression. However, MS profited from many years of experience with Java, and managed to solve some issues that Sun only now realizes as problems. The impression that the .NET and the CLR are evolving faster than Java is not lost on the Java community.

Other examples of this are modularization and versioning, which.NET solved by choosing the assembly, a collection of classes, as the basic deployment unit. Assemblies are equipped with metadata such as version information, unlike Java’s Jar file which lack versioning metadata. This is troublesome for increasingly large applications, which load many libraries. OSGi now provides a solution for this, Sun is busy adding something similar to Java 7.

The Java language keeps on catching up with C#, adding features such as Generics and features such as AutoBoxing, Enumerated types or Annotations. C# now has anonymous expression support, which forms the underpinning of the LINQ technology. LINQ can be thought of a statically typed query language for many different types of data sources, such as XML, relational databases, but also arbitrary object graphs. The Java space, meanwhile, debates language minutiae such as language support for properties and which of four types of anonymous function to include in the language.

The Java space doesn’t really any of the mentioned items, except for the hosting interface, which was added in Java 6, under the name of JSR 223. This is basically just framework to add new language runtimes and initialize and access them in a standardized way.

Jim Hugunin continues with a detailed explanation of how dynamic method dispatch is handled, which makes use of extension methods and other existing CLR systems. The only comparable initiative is JSR 292, which among other things wants to add a new bytecode invokedynamic .This effort was started by Gilad Bracha, who soon after the creation of the JSR, left Sun, and is now not convinced that this project will bring any short term solutions:

Exceto a bizarrice do LINQ, este texto só mostra algo que vem sendo visto diariamente. Provavelmente a JVM e a CLR vão disputar como VMs de linguagens dinâmicas e de DSLs, e tudo mostra uma vantagem técnica para a MSFT. Acordemos.

O Futuro na JAOO

Tuesday, March 20th, 2007

Ótimo painel sobre o futuro da programação no JAOO. Especialmente o comentário do PragDave:

Dave: I’d like to predict that the current stacks of software by 10-15 years are going to be in a much worse legacy and more of a nightmare to maintain. You’re going to have employment forever maintaining this stuff. C++, Java code, C# code, this stuff is very complicated and very brittle with all these class libraries and frameworks. We’re digging ourselves in a really big hole and there will be a lifetime of opportunities for you people to maintain this stuff that you’re creating.

Prepare-se e pense nisso antes de comprar aquela ferramenta mágica ou criar mais um framework que faz a mesma coisa que todos os outros.

Acorda, Maria Bonita…

Tuesday, March 13th, 2007

Lendo a revista Mundo .Net deste mês pensei sobre o estado atual das duas maiores plataformas de desenvolvimento modernas, Java e Microsoft .Net. Infelizmente estou tendendo a creditar em uma coisa: A Microsoft aprendeu, a comunidade Java se acomodou. É impressionante como a MSFT tem investido em ferramentas e plataformas interessantes. A estratégia que pude perceber é mais ou menos assim:

  1. Cria-se uma estrutura fundamental baseada em boas tecnologias e plataformas, geralmente copiadas de casos clássicos de sucesso
  2. Pessoas com nível técnico alto utilizam esta base para criar coisas muito interessantes
  3. Pessoas com nível técnico baixo, grande maioria nas duas plataformas, podem utilizar ferramentas burrotizantes que criam apenas o básico que elas acham que precisam

Dado que as pessoas citadas no item (2) são raridade (eu conheço duas, todos vindos de Java/C++),a estratégia de marketing toda foca no povo do item (3). Para o item (2) (para utilizar um termo MSFT: os Elvis e Einsteins) o marketing é baseado em altos salários e oportunidades muito boas em um mercado saturado de arrastadores de componentes (Morts). Com Java foi exatamente o contrário: a linguagem atingiu o jet-set da computação mas logo se banalizou. Einsteins criaram uma plataforma altamente produtiva e de qualidade impressionante, mas logo Mort caíram em cima, fugindo de Delphi e VB 6.0.

Se o programador mediano Java não tivesse tantos problemas no passado com a Microsoft ele facilmente seria seduzido pela plataforma. Ali tem tudo que ele precisa para fazer seus CRUDs (ou seus grudes…). E se Elvis não tivessem tantos problemas com código proprietário e uma plataforma de um vendedor só eles certamente estariam esmagando cabeças dos programadores Java ao comentar como a plataforma .Net está ficando cada vez mais aberta, cada vez mais flexível, cada vez mais… parecida com sistemas em UNIX.

É sério. Não vou nem citar o MS PowerShell, basta olhar como é feito o deployment em .Net e comparar com um sistema UNIX. Ok, eu sei que é muito mais fácil alguém ter visto um deployment .Net que um UNIX então deixe-me tentar explicar com poucas palavras como geralmente é feito um sistema: cada módulo geralmente é implementado como um programa separado (programa mesmo, tipo uma classe com public static void main(String[])), estes programas conversam entre si utilizando diretivas de IPC. O SO (Linux, HP-UX, Solaris, etc.) controla estes programas (feitos em C/C++, PERL, Python, Ruby, Bash, TCL…).

Se você for esperto já fez uma analogia com um servidor de aplicações J2EE. SIM! Os servidores de aplicação vieram solucionar problemas deste modelo, trazendo um nível de padronização (e racionalidade…) para o processamento de transações distribuídas, segurança, persistência, etc. É para isso que Java EE foi criado, infelizmente as pessoas esqueceram ou não tiveram contato com um ambiente não padronizado e não entendem o que é, por exemplo, um EJB. Ok, mas o problema é que o servidor de aplicações é um mundo a parte, e um mundinho bem fechado.

Tem uns dois anos eu trabalhava para uma empresa líder mundial do setor de sistemas para redes de telefonia celular. Esta empresa possui até hoje uns 90% da base de código em C, rodando em Solaris e outros UNIXes. O sistema principal era exatamente como descrevi: um bando de processos em C que se comunicavam via pipes, filas de arquivos e memória compartilhada. parece uma zona, não? Nada de JMS para mensageria, nada de JAAS para segurança, nada de nada.

Pois a grande vantagem deste sistema não era a velocidade, como defendiam os xiitas locais. A vantagem era a flexibilidade. Quando uma correção era implementada o meu colega de baia enviava para o cliente um patch contendo apenas os processos modificados. Quando eu corrigia uma linha de código tinha que mandar um EAR de 10 megabytes. O primeiro nível de suporte era capaz de fazer scripts em PERL e Bash que corrigiam problemas quando aconteciam e automatizavam tarefas para o programa em C. para o programa em java só o próximo release implementaria a mais boba das tarefas, ou uma famosa dedada no banco de dados (um script SQL).

Claro que a culpa é dos programadores (não me excluo) que não se prepararam para sistemas abertos e extensíveis (anos depois eu consegui fazer alguns progressos nesta área e sumarizei em uma palestra), mas o maior problema é na forma que um Application Server é fechado, lacrado. Mesmo os servidores mais modernos ainda contam com abertura precária se comparados aos bons e velhos sistemas UNIX dos anos 70/80/90.

E neste ponto a Microsoft vai na frente, por incrível que pareça. Sua plataforma está baseada em Camadas que são unidas pelo SO, é como se a pessoa pudesse implementar um sistema UNIX utilizando um framework de workflow, persistência, apresentação, comunicação remota, transações e segurança unificado, não importa qual linguagem (e .Net é multilinguagem desde sempre).

Não, eu não estou falando para você migrar para .Net. O que eu estou dizendo é que Java está trilhando caminhos muito perigosos, como desenvolvedores nós temos que ficar de olho. Cuidado com ferramentas milagrosas e,principalmente, cuidado com caixas fechadas (ainda que sejam Open-Source).

E os Einsteins? Eles brincaram com Java mas voltaram para LISP.

Confundindo DSLs

Monday, March 5th, 2007

O Edgar Silva escreveu um post sobre DSLs há alguns dias. Deixei um comentário mas ao que parece ele não foi aprovado, logo resolvi postar algo para esclarecer uma confusão.

O Edgar anda mexendo com o antigo Drools, atual JBoss Rules, que é uma rule engine bem famosa. A confusão do post pode ser sumarizada em:

Sendo assim podemos criar uma Domain Specific Language (DSL), uma linguagem que especifica para usuários, onde eles possam entender o que está acontecendo nas regras de negócio do sistema. É mais ou menos isso que o projeto que estou ajudando tem que fazer, então vamos a um pequeno exemplo: PT_BR.dsl

Daí seguindo para um exemplo de programação em português:


JAVA:

1. Imprima "{msg}"=System.out.println("{msg}")
2. [when]A quantidade produto igual a {value}=p : Produto( estoque =={value})
3. [then]Chame o comando de continuação de Produto=p.

(quem já programou em VBA em português como eu deve ficar apavorado vendo isso)

A confusão está no fato de que DSLs são linguagens específicas do domínio, não do usuário. Ter uma linguagem de programação em português não faz dela uma DSL. ter uma linguagem declarativa não faz dela uma DSL. Uma DSL vai mapear conceitos do domínio 9venda, estoque, etc.) para dentro dos construtos da linguagem, logo o exemplo não representa uma DSL, apenas uma customização em cima de uma rule engine.

Eu tenho um exemplo que sempre uso em palestras e costuma ser bem claro: Muita gente programa de maneira razoavelmente OO em C e Pascal. O que estas pessoas fazem é definir estrutruas de dados e funções num mesmo módulo (um arquivo .h e um .c em C, por exemplo) e fazem com que todo acesso aos dados sejam encapsulados com funções. Uma pessoa que conheça a paradigma de OO pode criar só com estas técnicas simples programas muitos mais orientados a objetos do que os criados com Java atualmente, com os tais BOs e VOs/TOs que são tudo, menos objetos.

O que eles fazem é mapear um conceito do domínio para a linguagem (sim, isso parece com DDD), funciona que é uma beleza.

Mas existem linguagens que já trazem este conceito dentro de si. Em Java ou C# você não rpecisa desta gambiarra para utilizar objetos, basta você utilizar construtos da linguagem como a palavra reservada class. O domínio ‘Orientação a Objetos’ está mapeado dentro da linguagem.

SQL é outro bom exemplo. É uma linguagem específica para consultas e manipulação de bases de dados, você não constrói qualquer tipo de sofwtare com ela (a menos que utilize extensões bizarras do seu fornecedor de SGBD). Os conceitos de tabela, índice, chave, etc. estão dentro da linguagem.

Hoje ao modelar um sistema de gerência de estoque você não faz mais do que trazer aquele domínio para seu sistema através de um mapeamento de conceitos. O estoque do mundo real vira um bando de classes e atributos. Numa DSL o estoque do mundo real será representado por um construto ‘estoque’ na linguagem utilizada.

Update: O Edgard autorizou o comentário, eu bem sei como é esta coisa de ter que moderar WordPress :P, segue abaixo:

Phillip Calçado “Shoes”

Uma DSL na verdade é uma técnica utilizada para trazer os conceitos de um determinado domínio para o sistema. É como ao invés de implementar OO utilziando C você utilize Java, que possui construtos como classes, modificadores de acesso e interfaces que expressam os conceitos de uma modelagem OO na linguagem ao invés de simular estes em structs e funções.

Apesar de auxiliar na definição de uma ubiquitous language, o objetivo do uso de DSL é diminuir o gap entre implementação e conceito do mundo real, não necessariamente o uso de linguagem natural.

A listagem mostrada é um curto exemplo mas na verdade traz os conceitos de um domínio, apenas utiliza uma linguagem imperativa mais natural e em português para a definição de regras de negócio, o que não é uma DSL. Na verdade DSLs não dizem anda sobre a sintaxe, se é declarativa ou imperativa ou qualquer outra coisa, ela apenas define uma linguagem que é utilizada para modelar um domínio específico, como gerência de estoque.

Para ser uma DSL teríamos conceitos como produto e estoque implementados como construtos da linguagem utilizada, exemplos e um ótimo texto do Fowler em:

http://martinfowler.com/articles/languageWorkbench.html

BPM, ESB, SOA e toda a parafernalha correlata não implicam em DSLs, na verdade não existe nenhuma ligação exceto que implementações como o mencionado Jboss Rules/Drools trazem alguns recursos para implementar mini-linguagens. Infelizmente ainda estão bem longe do ideal, na verdade a Microsoft tem uma linha de produtos antagônicos ao MDA que se aproxima mais do que se esperaria de uma LanguageWorkbench:

http://msdn2.microsoft.com/en-us/teamsystem/aa718951.aspx

No lado Java existem empresas que estão construindo seus workbenches, entre elas a JetBrains:

http://www.jetbrains.com/mps/
http://www.metacase.com/

Hacked Ternary Tree - Oh My F*&$% Zahl!

Wednesday, June 7th, 2006

O Gabriel, Um dos caras mais escolados em C/C++ e otimização que conheço (alguém que escreve um parser SQL para uma base de dados num fim de semana em casa por falta de coisa melhor rpa fazer :D ) publicou um artigo no TheCodeProject. Vale a pena conferir o artigo sobre Hacked Ternary Tree em C, uma otimização em cima do conceito já otimizado de árvore ternária.